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12/01/2016 Pais e filhos moram juntos em comunidades para aposentados

Todas as manhãs quando acorda, Allen Geiwitz dá uma olhada em sua mãe, Hilda, que gosta de dormir até mais tarde e coloca os cereais matinais sobre a mesa da cozinha, junto com as pílulas dela. Um pouco depois, assim que ela acorda, volta para fazer seu café.

"Vou até lá várias vezes por dia para ter certeza de que ela tomou os remédios. E ela gosta que eu fique um pouco", afirma Geiwitz, 71, programador de computador aposentado.

Hilda Geiwitz, 95, não dirige mais, então, o filho a leva para as consultas médicas. Ele garante seu suprimento contínuo de livros da biblioteca e vídeos com documentários sobre a natureza. Os dois jantam todas as noites com três amigos idosos. Nas noites de domingo, ficam ansiosos para assistir à série policial "Columbo", na TV a cabo.

A vigilância, cuidados e companheirismo se tornaram muito mais simples agora que Allen Geiwitz pode ficar de olho em sua mãe apenas atravessando o corredor. Em 2014, ele se mudou para Glen Meadows, a comunidade de aposentadoria e cuidados continuados no subúrbio de Baltimore, nos Estados Unidos, onde ela havia ido morar oito meses antes. Agora cada um tem um apartamento independente, de um quarto no primeiro andar.

Allen frequentemente encontra pessoas mais ou menos de sua idade que estão avaliando o local para seus pais. "Eles me olham de maneira estranha, mas para mim esse é o futuro", afirma.

Dá para entender sua maneira de pensar. Por causa do aumento da expectativa de vida, os filhos adultos que precisam tomar conta de pessoas de 80 ou 90 anos já estão chegando aos 70 anos ou até mais do que isso.

Eles também podem estar ficando cansados de limpar e arrumar a casa exatamente no momento em que seus pais precisam de mais ajuda. Cuidadores de mais de 75 anos passam 34 horas por semana dando apoio aos parentes idosos, segundo um estudo da Aliança Nacional para Cuidados e do Instituto de Políticas Públicas AARP, divulgado no ano passado.

"Por todo o país, cerca de 1.925 comunidades de aposentados e cuidados continuados --em que os moradores podem ter uma vida independente, contar com ajuda de pessoas especializadas ou morar em uma casa de repouso, dependendo de suas necessidades-- abrigam 750 mil pessoas", diz Steve Maag, diretor de comunidades residenciais da LeadingAge, uma associação da indústria de provedores de serviços para idosos sem fins lucrativos --80%  delas não têm fins lucrativos.

Até agora pelo que ele e outros especialistas do ramo sabem poucos filhos adultos se mudaram para as comunidades de seus pais. "Mas eu não ficaria surpreso de ver isso acontecendo cada vez mais", afirma. Em regiões mais baratas, uma comunidade de aposentadoria pode oferecer uma mistura de proximidade e privacidade e um nível mais elevado de cuidados, que muitos adultos das duas gerações eventualmente precisarão.

"É muito comum os filhos fazerem grandes ajustes para tomar conta de pais idosos", fala Philip Sloane, codiretor do programa sobre envelhecimento, deficiência e cuidados de longo prazo da Universidade da Carolina do Norte. "Dividir uma comunidade de cuidados continuados representa um novo, mas lógico modelo de serviços para idosos. Como os custos são razoáveis, a moda pode muito bem pegar", afirma.

Autor / fonte: uol.com.br Link Relacionado: http://mulher.uol.com.br/comportamento/noticias/redacao/2016/01/12/pais-e-filhos-moram-juntos-em-comunidades-para-aposentados.htm Tags: aposentados, comunidades, filhos, pais
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