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12/03/2015 Qual o impacto da inflação na vida das famílias brasileiras

Como correções de salários ocorrem apenas uma vez ao ano, consumidor sente a perda do poder aquisitivo por mais tempo.

Muito além das estatísticas e das planilhas dos economistas, a inflação tem assustado mais na vida real. Os preços de produtos e serviços do dia a dia têm superado os dados oficiais em Porto Alegre, em muitos casos crescendo o dobro. Gasolina, mensalidades escolares, contas de luz e consultas médicas, por exemplo, inflaram bem mais do que os 9% apontados pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC/Iepe) calculado pela UFRGS nos últimos 12 meses. 

O preço da energia subiu 27% no período, enquanto o combustível disparou quase 15% e uma visita ao médico passou de R$ 240 para R$ 277, alta de 15,32%.

— Quando se considera os gastos mais comuns do dia a dia, como alimentos e lazer, a sensação é que a inflação está ainda maior. Mas outros itens que estão com preços acomodados acabam segurando a média — explica Everson Vieira dos Santos, coordenador do IPC da UFRGS.

A percepção de que a "inflação real" supera estatísticas tende a se tornar mais comum em razão da recente aceleração da inflação, dizem analistas — os dados de 12 meses até fevereiro foram os mais altos desde 2003, conforme a UFRGS. Como as correções de salários ocorrem apenas uma vez ao ano, o consumidor sente a perda do poder aquisitivo por mais tempo.

— Como a alta de preços está disseminada, é mais complicado trocar um produto por outro. Esse quadro é mais nítido para famílias com filhos, que têm dificuldade de escapar de mensalidades escolares, transporte e planos de saúde — explica Santos.

Foram justamente os produtos e serviços indispensáveis às famílias que mais se encareceram nos últimos meses — assim como as tarifas reguladas pelo governo, das quais não há como escapar. Conforme Santos, os solteiros têm mais facilidade para cortar custos e compensar gastos. 
 

Economistas consultados pelo Boletim Focus do Banco Central prevêem uma inflação oficial (IPCA) de 7,77% ao final deste ano, acima do limite estimado pelo governo de 6,5% e bem superior à meta de 4,5%. Consultores financeiros afirmam que a inflação em alta reforça a necessidade de organizar o orçamento e evitar dívidas que comprometam a renda nos meses seguintes.