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03/11/2014 Renda baixa limita propensão do brasileiro a se proteger

Apenas cerca de 30% dos brasileiros tomam alguma iniciativa para se precaver de situações imprevisíveis no futuro, de acordo com pesquisa da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi) conduzida pelo Instituto Ipsos.

O levantamento, feito com 1,5 mil pessoas nas cinco regiões do país, mostra que 66% dos entrevistados se preocupam com imprevistos, mas, por diversas razões, nem todos tomam precauções. O principal motivo citado é a falta de poder aquisitivo (71%).

Osvaldo Nascimento, presidente da Fenaprevi, avalia que o fato de o cidadão ter uma boa cobertura de proteção social do Estado, se comparado a outros países, explica em parte o resultado do levantamento. Ele citou a previdência social, com cobertura para morte e invalidez, e o seguro de DPVAT para acidentes de trânsito. Para ele, também falta cultura de contratação de seguros e educação financeira.

Segundo Dorival Machado, diretor de relações públicas do Ipsos, também existe um entendimento de grande parte da população que é função do Estado protegê-lo.

Entre os cerca de 30% que se protegem, 36% escolhem aplicações financeiras, 35% adquirem seguros e 29% fazem economias domésticas. Se considerada a totalidade da amostra (o que inclui precavidos e não precavidos), a porcentagem de pessoas que usam seguro como instrumento de proteção cai para 18%.

A principal modalidade de seguros pessoais contratada no país é o seguro funeral, que cobre despesas com sepultamento e procedimentos burocráticos. Do total de pessoas entrevistadas, 11% declararam ter essa apólice. O segundo mais contratado é o seguro de vida, que alcançou 8% da amostra, seguido pelas modalidades de invalidez e acidente pessoal, cada uma com fatia de 4%.

De acordo com Nascimento, a maioria das pessoas que hoje contratam seguro é, em geral, bancarizada. "Isso porque os seguros de pessoas são predominantemente distribuídos por bancos", disse ontem o presidente da Fenaprevi.

Segundo ele, por conta disso, o setor acaba não alcançando a população das camadas mais baixas, justamente quem mais precisa de cobertura. Nascimento defendeu parcerias público-privadas para distribuir proteção para essa parcela dos brasileiros. Ele mencionou um projeto apresentado ao governo ainda no mandato de Lula para agregar algumas proteções securitárias no benefício do Bolsa Família.

Autor / fonte: Valor Econômico Link Relacionado: http://www.valor.com.br/financas/3754338/renda-baixa-limita-propensao-do-brasileiro-se-proteger Tags: renda, brasileiro, seguros
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