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15/09/2014 Moradia afeta renda de idosos nos EUA

Nesta segunda-feira faz seis anos que o Lehman Brothers quebrou, um evento importante no colapso de Wall Street que levou à Grande Recessão. A recessão provocou um rastro de destruição nos planos de aposentadoria de milhões de americanos e dois estudos divulgados no início do mês sugerem que a maioria dos americanos ainda não se recuperou propriamente. Para ser mais específico, a população de baixa e média renda não se recuperou nem um pouco, enquanto as famílias mais ricas estão se saindo bem.

O Centro Conjunto de Estudos sobre Habitação da Universidade Harvard (JCHS, na sigla em inglês) emitiu suas constatações sobre os desafios enfrentados para atender as necessidades de moradia de uma população em envelhecimento nos próximos anos. Enquanto isso, o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) divulgou sua pesquisa trienal sobre as finanças do consumidor (SCF, na sigla em inglês), um levantamento amplamente visto como uma pesquisa padrão ouro que servirá de base para muitos relatórios econômicos nos próximos meses. O relatório inclui informações sobre os orçamentos, pensões, renda e características demográficas de uma amostra de 6.500 famílias.

O estudo de Harvard considerou o estoque existente de moradias como inadequado para atender as necessidades das pessoas mais velhas, incluindo a disponibilidade, acesso, conectividade social e serviços de apoio. E os altos custos das moradias estão corroendo a capacidade dos adultos mais velhos de baixa renda de dar conta de outras necessidades como a alimentação e os cuidados com a saúde.

A moradia representa o maior gasto no orçamento das famílias e assim um esteio da segurança financeira e do bem-estar. "Ela é realmente a ligação entre nossa saúde financeira, a saúde física e os cuidados com a saúde", afirma Jennifer Molinsky, pesquisadora associada do JCHS e principal autora do estudo.

Harvard constatou que um terço dos adultos com mais de 50 anos comprometem mais de 30% de sua renda com a moradia - incluindo 37% das pessoas com mais de 80 anos. A universidade define esse grupo como "sobrecarregado pelo custo da moradia". Outro grupo de americanos idosos "duramente sobrecarregados" gasta mais de 50% da renda com moradia (custos que incluem, além de manutenção e serviços, aluguel). Este grupo gasta 43% menos com alimentação e 59% menos com saúde, em comparação às famílias que têm casa própria.

Os proprietários têm uma probabilidade muito menor de se verem sobrecarregados do que os inquilinos, constatou o estudo. Mas um número maior de proprietários está carregando hipotecas para a aposentadoria. Mais de 70% dos donos com idades entre 50 e 64 anos ainda estavam pagando hipotecas em 2010.

As constatações do Fed sobre as perspectivas de aposentadoria para a classe média são igualmente perturbadoras. Apesar da recuperação gradual da economia americana, a SCF constatou um aumento da diferença entre a renda e o patrimônio líquido. Os 10% de lares que estão no topo constituem a única faixa que apresentou aumento da renda (alta de 2% desde 2010). As famílias entre o 40º e 90º percentis de renda viram pouca mudança nas rendas reais médias entre 2010 e 2013. E o percentual daqueles que têm casa própria caiu para 65%, em relação a 69% em 2004 e 67% em 2010.

O número de detentores de planos de aposentadoria também caiu. Na metade inferior da distribuição de renda, apenas 40% dos lares tinha algum tipo de conta - IRA, 401(k) ou pensão tradicional - em 2013, em comparação a 48% na pesquisa de 2007. O Fed atribui a queda principalmente ao declínio das coberturas do IRA e 401(k), uma vez que a modalidade com benefício definido continuou estável. Enquanto isso, a cobertura na metade superior da distribuição de renda foi muito maior. Entre os 10% do topo, 95% das famílias tinham algum plano.

No geral, o valor médio das contas de aposentadoria teve um salto substancial de 10%, entre 2010 para 2013, para US$ 201.300. O Fed atribuiu isso ao vigor do mercado de ações e às maiores contribuições. Mas para o grupo de renda mais baixa, o valor médio combinado do IRA e 401(k) foi de apenas US$ 39.100 - e isso representa uma queda de mais de 20% em relação a 2007.

Considerando o forte desempenho do mercado de ações nesses anos, isso sugere que muitas dessas famílias venderam quando o mercado estava em baixa, drenaram suas poupanças, ou ambos. Enquanto isso, as famílias de renda média para alta tiveram um ganho de 20% desde 2007. (Tradução de Mario Zamarian)

Autor / fonte: Valor Econômico Link Relacionado: http://www.valor.com.br/financas/3694410/moradia-afeta-renda-de-idosos-nos-eua Tags: idosos, renda, EUA, aposentadoria
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