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15/07/2014 Veja dicas de como planejar uma aposentadoria com mais dinheiro

Planos de previdência privada são opções comuns para quem planeja completar a renda do benefício pago pelo governo, mas há outras possibilidades que podem ser muito vantajosas.

Ainda que seja doloroso separar uma fatia do salário todos os meses para ser gratificado daqui a 30, 35 anos — em especial para jovens em início de carreira, que soltam rojão por qualquer R$ 50 a mais —, não foi inventada melhor forma de planejar a aposentadoria. 
Quem guarda R$ 200 mensais a partir dos 21 anos terá uma renda vitalícia de R$ 1,6 mil ao chegar aos 55 anos, considerando uma rentabilidade conservadora e já descontada a inflação — ou poderá optar por sacar R$ 368 mil de uma vez. 

Se a aposentadoria for planejada 10 anos depois, será necessário guardar R$ 500 por mês para um benefício similar.

— O segredo está nos juros compostos: quanto antes se começa a poupar, mais tempo o dinheiro terá para render sobre uma acumulação cada vez maior de recursos — explica Sandro Bonfim, superintendente de produtos da Brasilprev, plano de previdência aberta do Banco do Brasil.

O ideal é inaugurar uma previdência com um depósito inicial gordo, que seja o trampolim para as primeiras contribuições. Se depositar R$ 3 mil na hora de contratar o plano, a aposentadoria mensal irá pular para R$ 1,8 mil ao final do período de 30 anos.

A decisão de começar uma previdência, que no caso dos trabalhadores assalariados será complementar ao benefício oficial, é o primeiro passo. Mas ainda será preciso escolher entre as opções para investir e as tabelas de tributação, além de comparar custos.

São etapas que exigirão cálculos e pesquisa, mas podem fazer a diferença entre um plano de previdência que abra o caminho para um futuro de sombra e água fresca, e um que naufrague as economias na lama do baixo rendimento.

Mas, qual o tipo de plano de previdência privada é o melhor?

Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL)  Modalidade indicada para quem declara o Imposto de Renda simplificado ou é isento. Não é possível deduzir os aportes na declaração. No entanto, no momento do recebimento do benefício, o IR incide apenas sobre os rendimentos, e não sobre o valor total aplicado.

Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL)  Recomendado para quem declara o Imposto de Renda pelo formulário completo. O poupador pode deduzir anualmente as contribuições, até o limite de 12% da renda. Dá um fôlego para quem deposita, no entanto o IR incidirá, no momento do resgate, sobre o valor total acumulado.

Qual regime de tributação é o mais indicado?

Progressivo — A tributação será de 15% na fonte. O valor dos resgates poderá ser compensado na declaração anual, conforme a tabela de desconto progressivo do IR. É indicado para quem efetua contribuições em plano de previdência com visão de curto prazo, está perto de usufruir da aposentadoria ou terá benefício inferior à faixa de isenção do IR.

Regressivo — Há vantagem tributária se o investimento for de longo prazo, pois a alíquota cai ao longo do tempo — após 10 anos, fica em 10%. Nesse caso, não há a possibilidade de compensar os valores na declaração anual do IR, pois a tributação é definitiva e na fonte. 

Além dos planos privados, existem outras opções para complementar a aposentaria. Saiba quais:

1. Renda fixa

Opções de renda fixa de longo prazo podem ser vantajosas, em razão das baixas taxas de administração e da ausência da taxa de carregamento — percentual cobrado cada vez que é feito um aporte na conta.

— É preciso calcular se o benefício com a dedução do Imposto de Renda na previdência não é anulado pela taxa de administração dos fundos. O melhor pode ser criar uma reserva por conta própria — explica Samy Dana, especialista em finanças da Fundação Getulio Vargas.

2. Tesouro direto

Uma oportunidade cada vez mais procurada são os títulos de Tesouro Direto, com taxas de custódia e corretagem que não chegam a 1% ao ano. O risco é relativamente baixo, pois a garantia é o próprio Tesouro Nacional. A mesma quantia investida mensalmente em títulos públicos pode render mais que a média dos planos de previdência, em especial as opções VGBL, em que a contribuição não pode ser deduzida do Imposto de Renda.

Como há opções de papéis do governo com vencimento em longo prazo, alguns com mais de 20 anos, eles se encaixam em investimentos focados no retorno futuro, na hora de se aposentar.

— O desafio, no caso do Tesouro, é ter disciplina para investir mensalmente e não colocar a mão no dinheiro antes da hora prevista — destaca Samy. 

3. Investimentos imobiliários

Um apartamento alugado pode render de 0,3% a 0,4% do seu valor, mensalmente. Imóveis mais próximos a regiões centrais da cidade costumam ter mais procura, aumentando a chance de uma remuneração permanente, afinal, quando fechados, além de não render, há despesas de condomínio para pagar. Porém, é preciso ficar atento ao dinheiro investido, que pode ter perdas com a depreciação do apartamento ou da região onde está localizado.

Mas há uma diferença elementar na formação do patrimônio: enquanto investimentos em renda fixa e planos de previdência privada absorvem aplicações mensais, a compra de um imóvel é vantajosa quando é feita à vista. Comprado por financiamento, o ganho futuro pode mal compensar o juro da parcela. 

Taxa de administração pode corroer o ganho

O ano passado foi ruim para os planos de previdência. Com a bolsa de valores em queda e a renda fixa muito próxima da inflação, os investimentos dos fundos de previdência deram prejuízo em alguns meses, espantando clientes mais afoitos.

A captação líquida (diferença entre depósitos e retiradas) caiu 20,8% em 2013, depois de dois anos em alta, conforme a Fenaprevi, entidade que representa seguradoras e entidades abertas de previdência complementar. A situação melhorou neste ano: a previdência fechou abril com R$ 6,7 bilhões em novos depósitos, alta de 15,47% em relação a março.

— A previdência tem que ser olhada no longo prazo, quando a remuneração é quase imbatível — afirma Sandro Bonfim, superintendente da Brasilprev.

Para fazer a melhor escolha, especialistas em finanças sugerem observar quanto as empresas cobram para cuidar do seu dinheiro. Se a taxa for de 3% ao ano e a inflação chegar a 4,5%, por exemplo, será preciso que a rentabilidade do fundo supere 7,5% só para evitar perda do poder de compra. E ainda há a taxa de carregamento, que incide sobre o valor investido, e, em alguns casos, taxa de retirada.

— Muitas vezes, o cliente não é informado de todos os custos do plano. O risco é ir depositando e, lá na frente, perceber que perdeu dinheiro — explica Pedro Von Ameln Ferreira e Silva, advogado previdenciário do escritório RMV.

Em fundos fechados, restritos a empregados ou membros de associações, por exemplo, há vantagem quando a empresa faz uma contrapartida aos depósitos dos funcionários. Nesses casos, conforme especialistas, é importante acompanhar o estatuto e os balanços para saber como o dinheiro está sendo investido.