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23/05/2014 Cenário de maior calmaria na renda fixa beneficia previdência

A captação mais forte dos fundos de previdência privada registrada em abril - cerca de R$ 2,3 bilhões - deve se manter ao longo do ano. Com a Selic estabilizando-se próximo dos 11%, a expectativa é de um cenário mais tranquilo para a renda fixa, com menos oscilações de preços e até ganhos para algumas carteiras dada a possibilidade de queda das taxas de juros no mercado.

"Se olharmos para 2013, o último trimestre já não foi tão ruim, com os fundos voltando a captar", afirma Claudio Sanches, diretor de produtos de investimentos do Itaú Unibanco. Ele lembra, ainda, que o movimento recente de fechamento dos juros beneficia produtos de longo prazo, ao trazer uma percepção de maior tranquilidade dos mercados.

O juro alto também faz toda diferença, e completa a receita que explica o maior apetite pela previdência. "Com a alta de juro, o cliente, em vez de destinar o dinheiro novo para a poupança, por exemplo, passou a aplicar em fundos, previdência e tesouraria, produtos que estavam rendendo mais mesmo para o pequeno investidor", afirma Sanches.

Claudio Pires, diretor da Mongeral Aegon Investimentos, destaca que esse ambiente de maior calmaria já se traduziu em ganhos neste ano para os fundos de previdência, especialmente os atrelados ao IMA-B, índice que acompanha uma cesta de títulos públicos indexados à inflação, as NTN-Bs. O indicador acumulou variação de 2,42% em abril e 4,98% no quadrimestre, ante um CDI de 0,82% no mês e de 3,24% no ano. Contribuíram para o ganho das NTN-Bs o fechamento da curva de juros e a inflação pressionada, aponta o executivo.

A rentabilidade média dos fundos de renda fixa, contudo, ficou em 0,79% em abril e em 2,89% no quadrimestre - abaixo do CDI. A explicação, observa Pires, pode estar no fato de que o número de fundos que seguem o IMA-B não representa nem 20% do total das carteiras de previdência renda fixa.

Ainda segundo o diretor da Mongeral, com o juro a 11%, considerando a mediana da indústria e taxa de administração de 1%, os fundos têm oferecido uma rentabilidade perto do CDI. Outra classe de ativos que tem ajudado o gestor a entregar melhores retornos é o crédito privado. Segundo ele, cerca de 20% a 30% das carteiras de previdência de renda fixa têm exposição em títulos privados, que pagam entre 105% e 108% do CDI.

De acordo com levantamento das consultorias Net Quant e Towers Watson, na média, os fundos de renda fixa com taxa de administração inferior ou igual a 1,5% entregaram em abril exatamente o CDI: 0,82%. No quadrimestre, estão um pouco abaixo, com 3,03%. Na outra ponta, os fundos com taxa superior ou igual a 3% encerram abril com retorno médio de 0,61% e o quadrimestre, com 2,36%.

Do lado do cliente, reitera Pires, a melhora da performance dos fundos de previdência acabou atraindo captação. "Em 2013, houve saída de recursos da previdência para a poupança. Este ano está acontecendo o contrário, já que com o CDI alto a rentabilidade dos fundos se distancia da poupança", afirma.

Já as carteiras com parcela em renda variável continuaram amargando saques, por conta do desempenho inconstante da bolsa de valores. Em abril, os saques líquidos superaram os R$ 385,8 milhões e, no quadrimestre, atingiram quase R$ 2 bilhões. "Enquanto não houver uma perspectiva mais clara de alta consistente da bolsa, o apetite tende a continuar tímido", afirma Sanches, do Itaú.

Na média, em abril, os fundos com parcela em ações renderam mais que o CDI. As carteiras com até 15% em renda variável encerraram o mês com rendimento de 1,05%; os com até 30%, com ganho de 1,23%; e os com exposição de até 49% em bolsa, com 1,48%. Já no quadrimestre, esses fundos renderam, respectivamente, 2,17%, 1,81% e 1,20% - abaixo do principal referencial da renda fixa.

Conforme destaca Pires, da Mongeral, o investidor de previdência ainda é muito ligado à liquidez e à performance de curto prazo, contrariando as características do produto de previdência. Ainda assim, esse é um segmento que cresce a passos largos.

Até 2012, acrescenta Sanches, do Itaú, a expansão girava entre 20% e 25% anualmente. Este ano, segundo ele, deve ser melhor que o de 2013, mas ainda abaixo do ritmo que vinha registrando, entre 15% e 20%. "O principal fator é que o número de clientes novos vem diminuindo", afirma.

Na Mongeral, do total captado no quadrimestre, conta Pires, um terço veio de portabilidade de planos de outras seguradoras.

Nelson Katz, diretor de planejamento e controle da Brasilprev, diz que, se levado em conta os ativos da previdência privada (cerca de R$ 330 bilhões) versus o PIB, ainda há bastante espaço para o crescimento. Enquanto no Brasil, essa relação está em 7%, em mercados mais maduros, como o chileno, gira em mais de 50%. Ele lembra ainda que, entre os motores de crescimento da previdência privada, estão os benefícios fiscais e tributários.

Diferentemente dos fundos tradicionais, as carteiras que recebem recursos dos planos PGBL e VGBL não contam com o come-cotas (tributação semestral retida na fonte). O imposto só é pago no resgate. No caso do VGBL, a alíquota incide apenas sobre os rendimentos. No PGBL, o investidor paga imposto sobre todo o montante resgatado, uma vez que ele pode deduzir as contribuições de base de cálculo até o limite de 12% da renda bruta tributável, no caso da declaração pelo modelo completo.

O produto também é usado para o planejamento sucessório, porque, em geral, não entra no inventário, não há cobrança de ITCMD, e os recursos são liberados em até 30 dias depois da entrega do atestado de óbito.

Autor / fonte: Valor Econômico Link Relacionado: http://www.valor.com.br/financas/3555658/cenario-de-maior-calmaria-na-renda-fixa-beneficia-previdencia Tags: previdência, renda fixa, taxa de juros
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