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04/04/2014 Estudo sobre nível de vida mostra um Rio Grande desigual

Um gaúcho nascido em Jaquirana e outro em Carlos Barbosa podem ter qualidade de vida totalmente diferentes apenas em razão da naturalidade. O Índice de Desenvolvimento Socioeconômico (Idese), divulgado nesta quinta-feira pela Fundação de Economia e Estatística (FEE), mostra desigualdades profundas no acesso à saúde, educação e trabalho no Estado.

Os dados, referentes a 2010, realçam que cidades da metade norte do Estado, especialmente na Serra e no Litoral apresentam indicadores mais próximos aos de países desenvolvidos em renda e serviços básicos, com melhores desempenhos escolares e taxa de mortalidade infantil baixa. No sul e região oeste, os indicadores apresentam renda per capita menor, menos matrículas na pré-escola e um maior número de mortes evitáveis.

– A realidade do Rio Grande do Sul reflete um quadro claro de desigualdades regionais. É um espelho da realidade brasileira, mas afasta o Estado de países mais desenvolvidos, que conseguiram superar essas diferenças – avalia o economista Thomas Kang, pesquisador responsável pelo estudo.

Confira o desempenho de todos os municípios do Rio Grande do Sul

O índice, que vai de zero para a pior situação, e um para a melhor, varia 62,7% entre as cidades nas pontas diferentes do ranking. Em geral, as cidades melhor posicionadas são urbanizadas, com maior quantidade de pessoas em idade produtiva e indústrias que demandam mais mão de obra. Há municípios agrícolas em destaque, caracterizados pela produção em pequenas propriedades, conforme o presidente da FEE, Adalmir Marquetti.

Os locais com pior desempenho costumam ter concentração maior de trabalhadores rurais. Como a renda é menor, há menos investimentos em saúde e educação.

– Uma pessoa que nasce em um município com menor Idese terá menos condições de obter estudo de qualidade e ter um bom emprego. Essa situação pode reforçar a diferença entre os municípios e causa saída da mão de obra qualificada para cidades onde há mais oportunidade – afirma Kang.

Apesar das diferenças, o Rio Grande do Sul melhorou em todos os grupos avaliados pelo Idese de 2007 a 2010. No indicador geral, o Estado passou de 0,699 para 0,727 no período, o que o coloca como de médio desenvolvimento socioeconômico. A melhor pontuação está no grupo saúde, em que tem uma qualificação alta, e o pior, em educação.

Por que Carlos Barbosa ficou em primeiro lugar

Economias alimentadas por indústrias e investimentos planejados em saúde e educação são os segredos dos municípios que ocupam os postos mais altos no ranking do Idese. Cidade com melhor qualidade de vida no Estado, Carlos Barbosa procura mesclar políticas públicas com uma atividade econômica baseada em grandes fábricas para melhorar os indicadores de desenvolvimento.

– Desde que desembarcaram em Carlos Barbosa, em 1875, alemães e italianos descobriram no trabalho a forma de superar dificuldades e trazer algum conforto à vida. É uma cultura que permanece – diz o prefeito Fernando Xavier da Silva (PDT).

Em seu quarto mandato na prefeitura (segunda reeleição), Xavier afirma os investimentos em saúde e educação dão condições para que a roda da economia gire e a população tenha vida melhor. O salário pago aos professores é de R$ 1.190 por 20 horas, 30% acima do piso nacional. Estudantes de todos os níveis têm passe livre em transporte urbano, o que reduz a evasão escolar.

– Se uma empresa precisa de mão de obra qualificada, fazemos o possível para entregar – afirma.

A cidade é sede de duas indústrias com fama que atravessa fronteiras: Tramontina e Santa Clara. Os bons indicadores colocam Carlos Barbosa em um padrão financeiro superior ao de cidades vizinhas, o que impacta nos preços de terrenos, por exemplo, que podem ser o dobro de municípios como São Vendelino e Alto Feliz.

O perfil da economia e investimentos pesados em saúde e educação também são estratégias citadas pelo prefeito Guilherme Rech Pasin (PP) para Bento Gonçalves liderar o ranking dos municípios com mais de 100 mil habitantes com melhor Idese.

O investimento em saúde chega a 28% da receita líquida do município, quase o dobro do exigido por lei. Cerca de 50% da arrecadação tem origem na indústria moveleira, que se sofisticou para enfrentar problemas com câmbio e concorrência estrangeira. Como empregam muita gente, essas fábricas garantem estabilidade no emprego e na arrecadação.

Autor / fonte: Zero Hora Link Relacionado: http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/economia/noticia/2014/04/estudo-sobre-nivel-de-vida-mostra-um-rio-grande-desigual-4465262.html Tags: qualidade de vida, desigualdade
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