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25/11/2013 Viver bem e mais exige cuidados com aposentadoria

O conselho pode parecer óbvio, mas os especialistas em previdência privada insistem em repeti-lo: para um futuro tranquilo, o ideal é garantir duas frentes para o momento da aposentadoria, dispor de recursos suficientes para cobrir as despesas e manter a saúde em dia para desfrutar desses benefícios. Ivanilda Vilela de Souza seguiu à risca o beabá de quem reza a cartilha do bom senso. Depois de trabalhar por mais de 30 anos, hoje se sente realizada ao colocar em prática o sonho de ficar em casa e cuidar da família. Dona de dois planos de previdência privada, ela ainda não escolheu a forma de resgatar os recursos. De quebra, não abandona a academia e incluiu caminhadas diárias no parque do bairro onde mora.

Noêmia Clara deixou para trás a vida paulistana agitada de horários para chegar ao trabalho e daqui para frente quer qualidade de vida, embora permaneça na "ativa". No momento de escolher o que fazer com a reserva de sua aposentadoria, ela optou por parcelas vitalícias que garantirão os anos pela frente. Quando se aposentou, ela já tinha poupado uma quantia suficiente para comprar um táxi zero quilômetro. Continua trabalhando, mas apenas nos dias e horários que deseja, e morando no interior de Minas Gerais. Pensando de outra maneira, o consultor da área de saúde Antonio Garcia acredita que fez um bom negócio ao parcelar a sua renda de aposentadoria por um período de dez anos.

Há um leque de opções no momento de desfrutar da previdência complementar após anos a fio de poupança, por isso mesmo o primeiro cuidado é consultar um profissional experiente na área. Errar na escolha pode trazer perdas futuras. "O primeiro passo é se cercar de todas as informações, avaliar o patrimônio e ter em mãos a planilha de gastos que terá nos próximos anos", ensina Osvaldo do Nascimento, presidente da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi). "A grande dificuldade é que as pessoas não costumam estimar gastos com saúde e é preciso levar em conta que o valor do plano de saúde cresce exponencialmente conforme a idade avança", ressalva.

Mariane Botarro, superintendente de gestão estratégica da Brasilprev, observa que a aposentadoria hoje se apresenta com inúmeras possibilidades de projetos de vida, mas para que eles aconteçam é preciso educação e planejamento financeiro, além de cuidados e investimentos na saúde. "Ter recursos para viabilizar o seu projeto de vida após se aposentar é uma das grandes vantagens de aplicar em previdência privada. Alguns clientes se preparam ao longo desses anos para abrir seu próprio negócio", completa.

É o caso de Noêmia Clara, que decidiu continuar trabalhando por conta, fugir da barulhenta São Paulo e ir para uma cidadezinha, no sul de Minas Gerais. "Seis meses depois de me aposentar trabalhei por mais dez anos como consultora comercial e desde 2010 sou motorista de táxi. Guardei uma boa quantia das parcelas da previdência e comprei o carro à vista", diz. Noêmia se orgulha de poder escolher os dias que quer trabalhar. "Hoje só trabalho quando quero e, no máximo, seis horas por dia."

Cautelosa, Ivanilda Vilela de Souza aderiu a uma primeira previdência privada já pensando no futuro, pois sempre teve claro que viver apenas com o dinheiro da aposentadoria da Previdência Social seria "insustentável". "Eu sempre soube da importância de ter previdência privada. Adquiri a segunda em parceria com o banco onde trabalhei", diz. Até agora ela não resgatou um único centavo. "Não decidi a forma de resgate, mas talvez retire 25% do valor e depois escolha a forma de receber o restante", diz.

"Hoje não podemos mais dizer que uma pessoa de 60 anos é um idoso, porque o perfil é muito diferente do que era há 20 anos", diz Lúcio Flávio de Oliveira, presidente da Bradesco Vida e Previdência. Ele afirma que a perspectiva de vida hoje é muito maior, "o que requer uma preparação para a aposentadoria, com mudanças nos hábitos de vida", e no trato com o dinheiro.

Ele sugere que as pessoas comecem a pensar em chegar na aposentadoria com um plano em mente. "Voltar a estudar, abrir seu próprio negócio, ajudar em uma ONG, são algumas opções, mas o fundamental é se preparar com pelo menos dez anos de antecedência para poder chegar nessa data com o caminho delineado do que vai fazer", diz.

Quando Antonio Garcia sentou com um especialista de previdência privada para juntos encontrarem a melhor solução de resgate, optou pelo resgate em dez anos. Estava com 60 anos. "Já se passaram sete anos e continuo firme, trabalhando como sempre, nem me lembro que me aposentei. Agora acho que corro o risco de viver mais um bom tempo e sem a mesada da previdência", brinca. Mas se isso acontecer, Garcia acredita que não ficará na mão. "Fiz economia e investi em imóveis. Posso lançar mão dos aluguéis."

 

Autor / fonte: Valor Econômico Link Relacionado: http://www.valor.com.br/financas/3349646/viver-bem-e-mais-exige-cuidados-com-aposentadoria Tags: aposentadoria, despesas, saúde
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