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03/02/2010 Um mercado para se negociar a longevidade

Deutsche Bank, J.P. Morgan e Royal Bank of Scotland se uniram a Axa, Legal & General, Edi Truell´s Pension Corp, Prudential e Swiss Re numa iniciativa destinada a criar um mercado líquido e negociável em riscos de longevidade e mortalidade.

A iniciativa, que assinala a primeira medida substancial de cooperação destinada a instituir produtos padronizados, acontece à medida que os planos de pensão pública e corporativa no Reino Unido começam a se concentrar mais em longevidade, ou seja, no risco de que se tenha de pagar pensões a aposentados por períodos mais longos do que se supôs.

O tema subiu ao topo da agenda à medida que a crise financeira tornava as companhias mais conscientes da magnitude dos passivos previdenciários e da necessidade de encontrar formas de reduzir riscos. Ao mesmo tempo, a expectativa de vida continua progredindo, devido a estilos de vida mais saudáveis e melhores medicamentos.

O órgão regulador das pensões do Reino Unido observou, em seu relatório recente sobre planos de pensão com benefício definido, que informações melhores levaram os planos no ano passado a elevar as premissas de idade média na data da morte para aposentados do sexo masculino com 65 anos de idade, de 86,1 para 86,4. Para futuros pensionistas do sexo masculino atualmente com 45 anos, a premissa média para idade na data da morte aumentou de 87,7 anos para 88,3 anos.

John Fitzpatrick, sócio da Pension Corp, disse que o custo médio da extensão de um ano na longevidade esperada para o plano médio era de aproximadamente 3% dos passivos. "Apenas no Reino Unido, o total de passivos de pensão de todas as partes supera 2 trilhões de libras esterlinas", disse. "Quando consideramos o tamanho do mercado mundial fica claro que todos os lados se beneficiarão com o desenvolvimento de um mercado líquido negociável em riscos de vida e de longevidade".

O Crédit Suisse e o Goldman Sachs fecharam no ano passado os primeiros acordos de "swap de longevidade" diretamente elaborados para planos de pensão corporativos. Eles vieram no rastro de uma série de acordos realizados em 2008 e 2009, principalmente para seguradoras de vida que buscavam reduzir os riscos sobre suas próprias carteiras de anuidades (seguros resgatáveis em vida).

Até agora essas transações - que equivalem a um total de aproximadamente US$ 19 bilhões, de acordo com a Swiss Re - foram moldados segundo as exigências do segurador ou do fundo de pensão que procura dispersar o risco.

Grupos de resseguro como o Pacific Life Re e o Partner Re têm se habilitado a assumir esses riscos, mas a recém-formada Life and Longevity Markets Association (LLMA - Associação de Mercados de Longevidade e de Vida) e outros no mercado dizem que a capacidade de estas companhias assumirem risco de longevidade se esgotará rapidamente.

Isso explica porque existe uma necessidade de produtos padronizados, não específicos, que possam transferir risco de longevidade a outros investidores nos mercados de capitais - por exemplo, fundos de hedge ou investidores institucionais tradicionais.

Uma das ideias seria convencer o governo do Reino Unido a lançar um título de dívida indexado à longevidade, para ajudar a estabelecer uma referência para atribuir preço à comercialização da longevidade. Fitzpatrick disse que os agora enormes mercados para swaps de inflação só decolaram com os primeiros títulos de dívida do governo indexados à inflação.

No entanto, o governo do Reino Unido e o Escritório de Gestão da Dívida não estão convencidos de que se deva emitir tais bônus, em parte porque ele está exposto a risco de longevidade através de planos de pensão pública. e também por meio da elaboração do orçamento para o Serviço de Saúde britânico e os serviços de atendimento a idosos. "Acredito que as coisas que estamos fazendo colaborarão em muito para lidar com as preocupações que o governo manifestou sobre títulos da dívida pública indexados à longevidade", disse Guy Coughlan, co-diretor de consultoria previdenciária para a Europa no J.P.Morgan.

Autor / fonte: Paul J Davies, Financial Times / Valor Econômico (03/02/2010, Pag. C8) Link Relacionado: http://
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